Na filosofia indiana a vida é um eterno retorno, que gravita em ciclos terminando no centro, onde só os iluminados atingem. O ciclo completo deve ser percorrido e a posição da pessoa em cada vida é transitória. Quanto mais alto se chega maiores são as obrigações. A roda da vida cobra mais de quem é mais capaz. Um Brâmane, por exemplo, que é da casta superior, dos filósofos e educadores, tem uma vida dedicada aos estudos e tem obrigações com a sociedade. As outras castas são: Kshatriya, administradores e soldados, Vaishya , comerciantes e pastores e Sudras , artesãos e trabalhadores braçais. Antigamente esse sistema era seguido como lei, mas depois que Mahatma Gandhi contestou isso em nome dos direitos humanos a mobilidade social já se faz presente.

Por volta de 3000 a.C., a Índia era habitada por povos que cultuavam o Pai do Universo, numa espécie de fé monoteísta. Em 2500 a.C., floresceu a civilização drávica, no vale do rio Indo, eles eram adeptos de uma filosofia de louvor à natureza baseada no princípio da não violência. Por volta de 1500 a.C. os arianos invadiram e dominaram aquela região, reduzindo os drávidas a condição de párias, que até hoje é a casta mais baixa da pirâmide social indiana.

O Hinduísmo Védico cultuava os Deuses tribais. A partir da influência ariana o Deus supremo do Hinduísmo Védico, Dyeus, se transforma em Indra. Também nesse período surgem várias outras divindades. A segunda fase do Hinduísmo é chamada de Vedanta (fim dos Vedas), nela ocorre a ascensão de Brahma, um dos Deuses que compõem o Trimurti (Trindade) do Hinduísmo, junto com Vishnu e Shiva. Os rituais ganham componentes mágicos e são elaboradas idéias mais complexas acerca do universo e da alma.

Mas nem tudo é Hinduísmo na Índia. O seu maior cartão postal, o Taj Mahal, é uma construção muçulmana, foi construído por um rei para sua amada que morreu. É uma das maravilhas do mundo, feito com mármore branco e ricamente decorado com pedras preciosas.

O Islamismo, devido a fatores políticos, se espalhou pelo norte e hoje temos um grande crescimento dos seguidores do Islã por toda a Índia. Antes disso o termo “Hindu” designava qualquer pessoa nascida na Índia, depois passou a ser sinônimo de “nativo não convertido ao Islamismo”.

Por volta do século XV o Islã se tornou muito intolerante, Os hindus estavam vivendo em condições desumanas, sendo reprimidos e até massacrados. Nesse contexto surgiu o Guru Nanak, que mostrou que ambas as religiões estavam se distanciando dos princípios de Deus, de paz e amor na humanidade e inaugurou o Sikhismo, uma religião baseada em valores universais: amor, liberdade, dignidade, tolerância, harmonia, amizade, realização pessoal, auto confiança, serviço, caridade e sacrifício.

O Budismo também se faz presente, já que a Índia é a terra onde nasceu Buda, e onde tudo começou.

A vida do indiano é dividida em quatro fases, esse sistema é chamado de Ashrama: o primeiro estágio da vida do ser humano é chamado de Brahmacharya, a infância e juventude (dos 0 aos 24 anos) é absolutamente devotada aos estudos, não existe namoro e é passada em completa abstinência sexual. É vivida junto a um guru para adquirir conhecimento e praticar a auto-disciplina. Aprende-se a viver uma vida em dharma e a prática da meditação.

O segundo estágio da vida é a Grihasthya ou Samsara (dos 25 aos 49 anos), é o estágio do chefe da família no qual ele se casa e cria os filhos, passa a satisfazer okama e o artha em uma carreira profissional.

Vanaprastha ou Sannyasin (dos 50 aos 74 anos) é o terceiro estágio da vida, no qual vive-se longe da cidade como eremita, transitando da vida material para a espiritual. As mulheres não são permitidas seguir esse sistema. É dedicada à realização espiritual.

Na velhice a Sanyasa (75 aos 100 anos) é o quarto e último estágio da vida do ser humano, no qual ele se despede da vida material buscando a libertação espiritual, através da meditação. É como se a pessoa se libertasse do mundo material para elevar-se ao mundo espiritual.

Tal modo de vida mostra a grande importância dada ao conhecimento, e um grande número de indianos, apesar do alto índice populacional do país, e da pobreza que é consequência disso, tem escolaridade e fala mais de uma língua.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Quase tudo na Índia é espiritualidade, mas na verdade o grande propósito da cultura indiana é o conhecimento, e toda essa importância dada às religiões se deve ao princípio de que o propósito da vida na terra é sair da escuridão da ignorância e chegar à luz do conhecimento. Só para se ter uma idéia a primeira Universidade, com o significado que a palavra deve ter surgiu na Índia nos tempos ancestrais.

A matemática deve à Índia todo o seu fundamento, pois os árabes buscaram lá e difundiram os algarismos que usamos até hoje.

A grande contribuição para o mundo além da filosofia, que faz parte da vida e todos os indianos, são os avanços na tecnologia da informação, pois a Índia hoje tem exportando Phd\\\’s na área de Softwares principalmente para a Europa e EUA.

A contribuição da Inglaterra, país que colonizou a Índia, foi a introdução do inglês, um idioma comum falado em todos os estados, cada qual com sua língua nativa. Além disso, introduziram o sistema de trens, que cobre todo o país, o telégrafo e toda a modernização nas comunicações. A independência foi conquistada em 1947, após a célebre resistência pacífica liderada por Mahatma Gandhi.

A auto-suficiência é uma realidade, principalmente com relação a alimentos. O fato de ter uma população em grande parte vegetariana, ou que não comem carne de vaca por ela ser sagrada, faz com que os espaços não sejam ocupados com pasto, propiciando assim maior incentivo a agricultura. Mesmo que muitas pessoas na Índia não tenham teto sempre existe comida fácil e barata.

Outro aspecto da auto-suficiência é o sistema de conselho municipal, chamado panchayati; cinco membros, geralmente mais idosos, cuidam dos assuntos da comunidade. A autoridade legal desses conselhos foi restaurada oficialmente em 1989 por Rajiv Gandhi.

A democracia da Índia é a maior do mundo pela sua população, e o sistema político é parlamentar. Há duas câmaras, a câmara baixa ou “Câmara do Povo” (Lok Sabha) com 544 membros e a câmara alta ou “Conselho de Estados” (Rajya Sabha) com 245 membros. Esta última não pode ser dissolvida. Há um Chefe de Estado e um Chefe de Governo, diversos partidos políticos e sindicatos.

ARTES

A Índia moderna, como vários outros países, absorveu a cultura ocidental, mas, sem perder suas características culturais. Um grande exemplo é a indústria cinematográfica, que surgiu em 1913 e é a maior do mundo. Essa é a maior paixão do indiano. Os cinemas vivem lotados, eles adoram seus astros, e o estilo “bollywood” (Bombay é o principal centro cinematográfico) se faz presente nas ruas, com músicas que são executadas em alto e bom som em todos os lugares e o colorido que os indianos tanto gostam dos sáris, que ainda são uma constante, ou nas roupas ocidentalizadas, pelo menos nos grandes centros. Mas tudo tem a cara da Índia. Esta diversidade colorida com uma mistura de línguas, religiões, sáris e turbantes, além de arquiteturas diferentes, é o que o fazem da Índia este “Caldeirão Cultural”.

As religiões são o fator mais determinante nas expressões do povo, como podemos ver em todas as manifestações da arte. A literatura e a poesia nasceram como mais uma maneira de se conectar com o divino, assim como toda pintura ou escultura.

A Índia um país místico, com cheiro de incenso e cheio de guirlandas e santos vagando pelas ruas, mas convivendo lado a lado com um povo extremamente progressista, que gosta da modernidade e com uma identidade cultural única no mundo.

Os trabalhos artesanais produzidos em toda a Índia são famosos e muito procurados no mundo todo. Peças de decoração, vestuário, jóias, além das músicas e incensos, esses os mais utilizados por todos os povos do mundo, são produtos disputados tanto no mundo oriental como no ocidental.